terça-feira, 17 de setembro de 2013

QUAL A DIFERENÇA ENTRE O INSTINTO E A INTELIGÊNCIA?

Onde começa um e termina o outro? Será o instinto uma inteligência rudimentar, ou uma faculdade distinta, um atributo exclusivo da matéria? O instinto é a força oculta que impele os seres orgânicos a atos espontâneos e involuntários, tendo em vista a sua conservação.

Nos atos instintivos não há reflexão, nem combinação, nem premeditação. É assim que a planta procura o ar, se volta para a luz, dirige suas raízes para a água e para a terra em busca de nutrientes. É pelo instinto que os animais são avisados do que lhes convém ou prejudica; que buscam, conforme a estação, os climas propícios a sua reprodução ou a sua existência; são tantos os exemplos, que esta postagem não os comportariam.

No homem, o instinto domina exclusivamente no começo da vida; é por instinto que a criança faz os primeiros movimentos, toma o alimento, chora e grita para exprimir suas necessidades, imita o som da voz, tenta falar e andar. No adulto, certos atos são instintivos, tais como os movimentos espontâneos para evitar um risco, para fugir a um perigo, para manter o equilíbrio do corpo; isso acontece, também, com o piscar das pálpebras para moderar o brilho da luz, ou mesmo para defender os olhos de algo que seja arremessado contra eles, o abrir maquinal da boca para respirar, etc.

Já a inteligência se revela por atos voluntários, refletidos, premeditados, combinados, de acordo com a oportunidade das circunstâncias. É incontestavelmente um atributo exclusivo da alma. Todo ato maquinal é instintivo.

O instinto é um guia seguro, que nunca se engana; a inteligência, pelo simples fato de ser livre, está por vezes sujeita a errar. O ato que denota reflexão, combinação, deliberação é inteligente. Um é livre,o outro não é.
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Fonte: Kardec, Allan. A Gênese, Cap. III, O Bem e o Mal. (com adaptações)