quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O QUE É PALINGENESIA?

Segundo estudiosos, PALINGENESIA, é formada de duas palavras gregas - Palin, de novo; gênesis, nascimento. Em termos gerais, seria nascer de novo, ou renascer.

Não é uma crença nova e povos de origem muito antiga já a admitiam. Vejamos no que criam alguns desses povos.



Para melhor compreensão, iremos discorrer brevemente sobre como os povos antigos


ÍNDIA
Para alguns a PALINGENESIA é uma crença que teve origem na India, nos albores da Civilização, com uma precisão que o estado intelectual dessa época longinqua não fazia pressagiar. A Índia é muito provavelmente o berço intelectual da Humanidade.

Desde a mais alta Antiguidade, os povos da Ásia, e da Grécia acreditavam na imortalidade da alma, e mais ainda, muitos procuravam saber se essa alma fora criada no momento do nascimento ou se existia antes.

Uma das obras mas antigas da humanidade, os Vedas e o Bhagavad-Gitâ já citavam passagens como a que se segue:"A alma não nasce nem morre nunca; ela não nasceu outrora nem deve renascer; sem nascimento, sem fim, eterna, antiga, não morre quando se mata o corpo. E continua: "Como poderia aquele que a sabe impecável, eterna, sem nascimento e sem fim, matar ou fazer matar alguém? Assim como se deixam as vestes gastas para usar vestes novas, também a alma deixa o corpo usado para revestir novos corpos. Eu tive muitos nascimentos e também tu, Arjuna; eu as conheço todas, mas tu não as conheces..."

A doutrina védica, prega a eternidade da alma e sua evolução progressiva pelas reencarnações múltiplas, as quais têm por objeto a destruição de todo o desejo e de todo o pensamento de recompensa pessoal. Com efeito, prossegue ainda o instrutor (é sempre a voz celeste que fala): "Chegadas até mim essas grandes almas que atingiram a per­feição suprema, não entram mais nessa vida perecível, morada dos males. Os mundos voltarão a Brãhma, ó Arjuna, mas aquele que me atingiu não deve mais renascer."

Pérsia e a Grécia

Encontra-se no Masdeísmo, religião da Pérsia, uma concepção muito elevada, a da redenção final concedida a todas as criaturas, depois de haverem, entretanto, experimentado as provas expiatórias que devem conduzir a alma humana à sua felicidade final. É a condenação de um inferno eterno, que es­taria em contradição absoluta com a bondade do Autor de todos os seres.

Pitágoras foi o primeiro a introduzir na Grécia, a dou­trina dos renascimentos da alma, que havia conhecido em suas viagens ao Egito e à Pérsia. 


Pitágoras ensinava duas doutrinas: uma reservada aos iniciados, que frequentavam os Mistérios; e outra destinada ao povo. Esta última deu origem ao erro da metempsicose.

Para os iniciados, ensinava que a ascensão da alma era gradual e progressiva sem regressão às formas inferiores; ao povo, pouco evoluído, ensinava-se que as almas ruins deviasm renascer em corpos de animais, como o expõe nitidamente, seu discípulo Timeu de Locres na seguinte passagem: "Pela mesma razão é preciso estabelecer penas passageiras (fundadas na crença) da transformação das almas (ou da metempsicose), de sorte que as almas (dos homens) tímidos passam (depois da morte) para corpos de mulheres, expostas ao desprezo e as injúrias; as almas dos assassinos para os corpos de animais ferozes, a fim de aí receberem punições; as dos impudicos para os porcos e javalis; as dos inconstantes e levianos para os pássa­ros que voam nos ares; a dos preguiçosos, dos vagabundos, dos ignorantes e dos loucos para a forma de animais aquáticos."

Corroborando o que ensinava Timeu de Locres, Heródoto também ensinava aos gregos, a doutrina dos egípcios, que acreditavam que havia a necessidade da passagem da alma através da fieira animal, atribuindo-lhe, porém, um caráter de penalidade, o que confirmava o erro da metempsicose. O "Pai da História" acreditava, também, que as almas puras podiam evolver em outros astros do Céu. 

 
Naquela época acreditava-se que os hierofantes de Mitra, entre os persas, repre­sentavam as transmigrações das almas nos corpos celestes, sob o símbolo misterioso de uma escala ou escada com sete pontas, cada uma de metal diferente, que representavam os sete astros, aos quais eram dedicados os dias da semana, mas dispostos em ordem inversa, conforme relata Celso: Saturno, Vénus, Jú­piter, Mercúrio, Marte, a Lua e o Sol.

Outros persnagens gregos notáveis tanbém ensinavam os mistérios da alma. Aristófanes e Sófocles denominavam os Mistérios de esperanças da morte; Porfírio dizia: "Nossa alma deve ser, no momento da morte, tal como era durante os mistérios, isto é, isenta de paixões, de inveja, de ódio e de cólera." 


Porfirio, outro expoente grego, não crê na metempsicose, mesmo que seja como punição das almas perversas e, segundo ele, a reencarnação só se opera no gênero humano. Não havia pois, penas eternas para os adeptos de Pitágoras. Todas as almas deviam chegar a uma redenção final por seus próprios esforços. 

Nota-se, pelo que ensinavam, qual era a importância moral e civilizadora dos Mis­térios que ensinava-se secretamente aos iniciados. Vejamos alguns pontos por eles ensinados naquela época:

1.° — A Unidade de Deus;
2.° — A pluralidade dos mundos e a rotação da Terra, tal como foi afirmada mais tarde por 

          Copérnlco e Gallleu;
3.° — A multiplicidade das existências sucessivas da alma.

Platão adotou a idéia pitagórica da Palingenesla. Ele fundou-a em duas razões principais, expostas no Phedon. A primeira é que, na Natureza, a morte sucede à vida, e, sendo assim, é lógico admitir que a vida sucede à morte, porque nada pode nascer do nada, e se os seres que vemos morrer não devessem mais voltar à Terra, tudo acabaria por se absorver na morte. 
Em segundo lugar, o grande filósofo baseia-se na reminiscência, porque, segundo ele, aprender é recordar. Ora — declara —, se nossa alma se lembra de já haver vivido, antes de descer ao corpo, por que não acreditar que, em o deixando, poderá ela animar sucessivamente muitos outros? Elevando-se ainda mais, Platão afirma que a alma, desem­baraçada de suas imperfeições, aquela que se ligou a divina virtude, torna-se, de alguma sorte, santa, e não vem mais à Terra.

Mas, antes de chegar a esse grau de elevação, as almas deveriam girar durante mil anos no Hades, e, quando têm de voltar, bebem as águas do Letes, que lhes tiram a lembrança das existências passadas.

A Escola Neoplatônica
A Escola Neoplatônica de Alexandria naquela epóca já ensinava sobre a reencarnação, inclusive citando as condições para a evolução progressiva da alma.


Plotino, um dos principais expoentes dessa escola, trata da reencarnação em sua obra "Enéadas".  Eis um trecho de sua obra: "É dogma de toda Antiguidade e universalmente ensinado, que, se a alma é condenada a expiá-las, recebendo punições em infernos tenebrosos; depois, é obrigada a passar a outro corpo, para recomeçar suas provas."


No livro IX da segunda "Enéada", ele afirma ainda mais seu pensamento, na seguinte frase: "A providência dos deuses assegura a cada um de nós a sorte que lhe convém e que é harmónica com seus antecedentes, conforme suas vidas sucessivas."

Nessa frase se vê toda a doutrina moderna sobre a evolução do princípio inteligente que se eleva gradativamente até o ápice da espiritualidade. 

 
A Escola Neo Platônica, como se depreende, já ensinava uma doutrina emlnentemente moral, que incitava o homem a libertar-se voluntariamente dos vícios e das más paixões, para aproximar-se progressivamente da fonte de todas as virtudes. Ensinava também, que a justiça de Deus não é a justiça dos homens.

Do ponto de vista dessa doutrina, as penas que nos afligem, são, muitas vezes, castigos de um pecado de que a alma se tornou culpada em vida anterior. Algumas vezes, Deus nos oculta a razão delas; não devemos, porém, deixar de atribui-las à sua justiça. Assim, segundo Jâmblico, não há acaso nem fatalidade, mas , uma justiça inflexével que regula a existência de todos os seres se vêem acabrunhados de aflições, não é em virtude de uma decisão arbitrária da divindade, mas consequência inelutável das faltas cometidas anteriormente. 
Essa doutrina ensinava também, que se um espírito aceitasse voltar à Terra, por vezes livremente, inclusive com penosas provas, não como castigo, mas como meio para chegar mais depressa a um grau superior de sua evolução. 

Essa doutrina se assemelha por demais a atual Doutrina Espírita.

JUDÉIA
Entre os hebreus, a idéia das vidas anteriores era bastante difundida. O apóstolo S. Jaques, já dizia: "Elias, não era diferente do que somos; não teve um decreto de predestinação diferente do que possuímos; apenas, sua alma, quando Deus a enviou à Terra, tinha chegado a um grau muito eminente de perfeição, que lhe atraiu, em sua nova vida, graças mais eficazes e mais elevadas".
A crença no renascimento da alma encontra-se indicada de maneira velada na Bíblia (Isaías, cap. XXIV, v 19, e Job, cap. XIV,vv 10 e 14), porém muito mais explicitamente nos Evangelhos, como veremos logo abaixo. 

Os judeus acreditavam que a volta de Elias à Terra devia preceder a do Messias. É esta a razão por que, nos Evangelhos, quando seus discípulos perguntaram a Jesus se Elias voltara, ele lhes respondeu afirmativamente: "Elias já veio e não o reconheceram, antes fizeram-lhe tudo quanto quiseram". E os discípulos compreenderam, diz o Evangelista, que era de João que ele falava. 

Jesus, tendo encontrado em seu caminho um cego de nascença, que mendigava, seus discípulos lhe perguntaram: se foram os pecados que ele cometera ou os de seus pais a causa da cegueira; acreditavam, por consequência, que ele podia ter pecado antes de haver nascido.
Jesus não estranhou semelhante pergunta, e sem os desenganar, como parece que o faria se estivessem em erro, contentou-se em responder-lhes: -"Não foi este homem quem pecou nem seus pais, mas é para que as obras de Deus se manifestem nele". (João, 9:2).

No Evangelho de São João, um senador judeu, o fariseu Nicodemos, pede a Jesus explicações sobre o dogma da vida futura. Jesus responde: -"Em verdade, em verdade vos digo, ninguém verá o reino de Deus, sem nascer de novo".
Nicodemos, perturbado por esta resposta, porque a tomou em seu sentido material, indagou: "Como pode um homem nascer sendo velho?" Pode, porventura, entrar no seio de sua mãe e nascer segunda vez? Jesus respondeu: "Em verdade, em verdade vos digo, que se ninguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus; não vos maravilheis de vos dizer que é necessário nascer de novo; o espírito sopra onde quer e ouvis sua voz, mas não sabeis de onde vem nem para onde vai. -Como pode ser isto? Jesus respondeu: -Como? Sois mestres em Israel e ignorais estas coisas?".
Esta última observação mostra bem a surpresa de Cristo com a falta de conhecimento de um mestre em Israel sobre a reencarnação, porque era ela ensinada como doutrina secreta aos intelectuais da época. Uma das provas que se pode apresentar é a de que existiam ensinos ocultos ao comum dos homens, e que foram compilados nas diferentes obras que constituem a "Cabala". 
No ensino secreto, reservado aos iniciados, proclamava-se a imortalidade da alma, as vidas sucessivas e a pluralidade dos mundos habitados. Encontram-se estas doutrinas no "Zohar", redigido por Simão bem Yochai, provavelmente no ano de 121 de nossa era, mas conhecido na Europa somente em fins do século terceiro. (...)

Espero que tais exemplos tenham sido utéis para que se possa saber o que vem a ser Palingenesia.
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Fonte: http://pt.wiktionary.org/wiki/palingenesia
          http://www.comunidadeespirita.com.br/temas/palingenesia.htm